quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Origem da Língua Portuguesa


Como se originou a Língua Portuguesa?

Língua Portuguesa tem sua origem no latim vulgar, modalidade falada do latim que os romanos levaram para a Lusitânia, região situada a Oeste da Península Ibérica (correspondente a atual Portugal e à região espanhola da Galícia). A Península Ibérica, devido à sua posição geográfica, foi constantemente invadida e colonizada por diversos povos que falavam línguas diferentes: lígures, tartéssios, fenícios, gregos, bascos, iberos e celtas. 

Por volta do ano 218 a.C., chegaram os romanos, que, depois de conquistar esses povos, conseguiram a unificação linguística. Pelo fato de o latim ser uma língua mais organizada e o meio de comunicação de uma cultura mais adiantada, ele foi aos poucos se impondo em toda a península, substituindo as demais línguas, com exceção do basco. De todas as línguas pré-românicas, subsistem algumas palavras que passaram ao Português, como barro, bezerro, cabana, cerveja, mapa.


A origem latina


Latim clássico e latim vulgar

No latim distinguem-se duas variantes:

• Latim clássico ou culto: uniforme e regulamentado, era estudado nas escolas, falado e escrito pela minoria culta.

 Latim vulgar: era a língua falada pelos comerciantes, colonos e soldados que mantinham a ordem no Império. Essa variante não respeitava, pelo desconhecimento de seus usuários, as normas gramaticais, mantinha os vícios das línguas orais e incorporava palavras das outras línguas com as quais entrava em contato. 

Principais diferenças entre latim clássico e vulgar
O clássico tinha dez vogais (cinco breves e cinco longas). O vulgar tinha só sete:a, e (abertas e fechadas), i, o (aberta e fechada) e u; 
O latim vulgar tinha a tendência de exprimir com várias palavras o que o latim clássico conseguia com uma só (tempos verbais, complementos, comparativos e superlativos); 
• No vulgar foi se perdendo o sistema de flexões que indicava as funções que as palavras tinham na oração (declinação);
• O vulgar expressava a voz passiva do verbo por meio do verbo auxiliar e dos particípios. O clássico o fazia por uma desinência especial.


A Península Ibérica antes da romanização

Pouco se sabe sobre a Península Ibérica antes da chegada dos romanos. Supõe-se que, primitivamente, ela tenha sido habitada por dois povos: o cântabro-pirenaico e o mediterrâneo, dos quais se teriam originado o povo basco e o ibérico. Ao Sul da península, estabeleceram-se os tartéssios, fundadores da cidade de Tarsis, aonde, segundo a Bíblia, Salomão ia buscar ouro, prata e marfim. Essas riquezas atraíram outros povos: os fenícios, que dominaram o Sul, fundando as cidades de Cádiz, Málaga e outras, e os gregos, que derrotados pelos fenícios no Sul foram para o Leste, fundando a cidade de Alicante, entre outras. Os lígures provavelmente se estabeleceram no Norte.

Celtas e romanos


Por volta do século V a.C. chegaram os celtas, que se fixaram na Galícia e no centro de Portugal. No século III a.C., para defender seu poderio no Mediterrâneo ameaçado por Cartago, os romanos desembarcaram pela primeira vez na península. Em 25 a.C. toda a faixa ocidental da península já estava conquistada e os peninsulares, com exceção dos bascos, adotaram a língua e os costumes dos vencedores, ou seja, romanizaram-se.

Processo de romanização


Esse processo não aconteceu da mesma maneira nem ao mesmo tempo em todas as regiões da Península Ibérica. No Norte, onde o processo de romanização foi menor, o latim evoluiu de uma maneira mais livre e revolucionária. Embora na Península também tenham existido escolas em que estudaram imperadores, poetas e filósofos – como Trajano, Adriano, Sêneca, Marcial –, o latim que se impôs foi o vulgar. O latim vulgar foi se diferenciando do clássico. Portanto, as línguas românicas da Península são fruto da evolução do latim vulgar em contato com elementos pré-românicos e outras influências de povos que chegaram mais tarde.

Os mapas mostram a criação e a expansão do reino de Portugal, conquistando territórios dos reinos cristãos e muçulmanos da Espanha, que exerceram grande influência na Língua Portuguesa

A influência de outros povos


Depois da queda do Império Romano, muitos povos bárbaros chegaram à península. Os suevos, vândalos e visigodos, que chegaram entre 568 e 586, fizeram da cidade de Toledo a sua capital. Apesar de deterem o poder, adotaram a língua falada pelos derrotados, um latim vulgar muito evoluído. Em troca deixaram palavras de sua língua original usadas até hoje.

Povos germânicos 


Os povos germânicos deixaram um léxico numeroso (germanismos) relacionado com a guerra e os costumes:

Guerra, elmo, roca, arauto, trégua

Eles deixaram também topônimos e antropônimos:



Afonso, Elvira, Raimundo, Rodrigo, Resende



No ano 711, os árabes invadiram a península. Derrotaram os visigodos e praticamente dominaram todo o território em sete anos. As tropas cristãs reagruparam-se no Norte da península e iniciaram a Reconquista, que culminou em 1492 com a tomada de Granada pelos Reis Católicos. Durante esses sete séculos aconteceram as grandes evoluções linguísticas do latim na península e apareceram os dialetos romances: o galaico-português, o astur-leonês, o castelhano, o navarro-aragonês e o catalão, além do moçárabe, língua falada pelos cristãos habitantes da Espanha árabe.


Árabes 


O árabe teve importante influência no Português, contribuindo principalmente com palavras que designam plantas, utensílios, alimentos, além de verbos e topônimos:



Algodão, alface, alaúde, tambor, azeitona, álcool, xarope, alcatifar, alcovitar, Alcântara, Gibraltar


Enriquecimento da Língua Portuguesa

Nos séculos XII e XIII, com a chegada da arte provençal, cultivada até pelo próprio rei D. Dinis, muitas palavras de origem provençal incorporaram-se ao léxico português:


Alegre, jogral, rouxinol, trovar

Com a expansão ultramarina, a Língua Portuguesa entrou em contato direto com outras línguas que acrescentaram ao idioma inúmeras palavras da África, Ásia e América. Alguns exemplos:


• Cáfila (do árabe falado no norte da África);

• Nanquim (do chinês);

• Gueixa, samurai (do japonês);

• Gengibre, sândalo (do sânscrito);

• Berinjela, caravana, laranja, turbante (do persa);

• Capim, cipó, abacaxi (do tupi).

Durante o período em que Portugal foi governado pela Espanha (1580 a 1640), o castelhano também influenciou a Língua Portuguesa, com palavras como:

Bobo, galhofa, lagartixa, pirueta, realejo

A partir do século XVI, quando surgem as primeiras gramáticas, a Língua Portuguesa, então mais definida, sofreu influências menores. Mesmo assim, ao longo dos anos foi incorporando vocábulos de diversos idiomas:


• Tricô, abajur (do francês);

• Cantina, macarrão, salame (do italiano);

• Vodca, estepe (do russo);

• Lanche, pudim, sanduíche (do inglês).

A partir do século XIX, o Português recebe termos que designam avanços tecnológicos:


• Telefone, televisão, submarino, cosmonauta (greco-latina);

• Futebol, revólver, iate, computador (inglês);

• Show, best seller, short, software, hardware (do Inglês, ainda sem grafia em Português).


Fonte: http://www.grupoescolar.com

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