segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Espaço reservado ao 3º ano do E. M. - Aula 02 - Exercícios - dissertação


Exercícios sobre texto dissertativo - argumentativo

A DISSERTAÇÃO

Dissertar é expor seus pontos de vista a respeito de um determinado assunto. Além disso, é discutir, analisar e apresentar argumentos que justifiquem uma opinião e convençam o interlocutor a respeito de seu posicionamento, ou seja, dissertar é  analisar uma situação de maneira crítica, questionando não só a realidade, como sua própria opinião.
São objetivos da dissertação:
Ø  Convencer alguém de que determinado ponto de vista é, de certa forma, inquestionável;
Ø  Informar ou explicar um assunto de forma até mesmo didática;
Ø  Discutir uma questão, conferindo-lhe, até mesmo um tom polêmico de debate, levando o receptor a se posicionar diante do problema.

Partes de um texto dissertativo
1.  A Introdução

Ao iniciar sua reflexão sobre o tema proposto, faça a seguinte pergunta: POR QUÊ? Procure uma resposta para essa questão, tente se lembrar de tudo que você já leu, ouviu ou discutiu sobre o assunto. Tente formular duas ou mais vertentes para sua discussão (argumentos).  São as respostas que você obteve para a sua pergunta.

Uma vez que você já tenha o tema e seus argumentos, pode começar a redigir sua dissertação. Não se esqueça de que a dissertação é composta de três partes distintas: introdução, argumentação e conclusão. Portanto,  é hora de pensar na introdução. Uma maneira segura de montá-la, é repetir o tema com suas palavras e acrescentar os argumentos que serão dispostos no desenvolvimento da redação. Lembre-se de que na introdução os argumentos são apenas mencionados.

2. A Argumentação

Os próximos parágrafos serão reservados para o desenvolvimento da argumentação — normalmente, um parágrafo para cada argumento, que agora aparece sob a forma de tópico frasal. Não se esqueça de que os parágrafos devem ser relacionados entre si e obedecer a uma sequência lógica.

3.  A  Conclusão

Constitui-se de um único parágrafo. Normalmente deve iniciar com uma frase que remeta ao que foi dito nos parágrafos anteriores, depois, uma  reafirmação do tema proposto, e finalmente, fazer um breve comentário, uma observação ou proposta de solução para os problemas discutidos.

EXEMPLOS COMENTADOS

Tema: O mundo moderno caminha para sua própria destruição.
Pergunta: Por quê?
Respostas: - Por causa dos inúmeros conflitos internacionais.
                     - Por causa do desequilíbrio ecológico provocado pelo homem moderno.

Introdução
  Apesar de inúmeras mudanças e avanços, muita gente ainda alimenta uma perspectiva bastante pessimista em relação ao futuro da humanidade. Se hoje, com o fim da Guerra Fria, não há mais o perigo iminente de uma catástrofe nuclear,  os conflitos étnicos, religiosos e sociais e o desequilíbrio ecológico são ameaças sérias à sobrevivência  da raça humana.

Argumentação:
Depois de superar conflitos e ameaças de ordem global, hoje a humanidade se depara com a pulverização de conflitos regionais. As questões étnicas e religiosas, principalmente, além de produzir matanças  desnecessárias, acabam com a força de trabalho e com a estruturação de qualquer sociedade. Escolas, hospitais, saneamento, produção, tudo sofre com a guerra. O resultado é a falência econômica, social e o aumento da fome e da miséria em todos os sentidos. 

Outra ameaça constante é o desequilíbrio ecológico, também provocado pelo homem, ironicamente, com a intenção declarada de promover o desenvolvimento. Desmatamentos desordenados, emissão de gases e produtos tóxicos no meio-ambiente contribuem para, de certa forma, piorar a nossa qualidade de vida.  Acidentes como o de Chernobyl, na Ucrânia, e Minamata, no Japão,  servem como verdadeiros alertas para a situação.

Conclusão:
Em virtude de fatos, como os acima  mencionados, parece que a humanidade caminha firmemente para sua destruição. É claro, que se forem tomadas medidas sérias e efetivas para conter essas forças, o quadro poderá ser revertido. Mas para isso é necessário que as grandes potências – responsáveis, em grande parte, pela disseminação dos conflitos e pela exploração desordenada do meio-ambiente – canalizem mais recursos para promover o desenvolvimento e eliminação das diferenças sociais que se espalham cada vez mais em todos os continentes.  Só assim haverá perspectivas de construir um mundo melhor para as próximas gerações.
(BP)
Exercícios

TEXTO 1

MOMENTO DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL

Adolescentes e mesmo crianças praticam, atualmente, infrações bárbaras, deixando-nos perplexos e estarrecidos pela crueldade e malvadez que os caracterizam. A diminuição da faixa etária dos criminosos violentos é um dado real que merece uma acurada reflexão.

Agindo isoladamente ou em grupos comandados por maiores, nossas crianças e nossos jovens estão demonstrando uma insensibilidade assustadora e um desapego incompreensível pela vida alheia e até pela própria, pois se colocam frente ao crime de forma aberta, inconsequente, mostrando um destemor irracional.

Assusta a prática de violência e de crueldade absolutamente desmotivada, desprovida de qualquer sentido, mesmo dentro da óptica do delinquente, pois, após imobilizar a vítima e se apossar os bens, provoca-lhe um mal físico desnecessário, uma vez que seu objetivo já foi atingindo.

Com tais características, a criminalidade infanto-juvenil está a merecer reflexões que extrapolam os limites da questão jurídica e das soluções legislativas de natureza meramente repressiva para situar-se num campo mais amplo e diversificado que possibilite uma análise global do problema.

Para situar a questão dentro de parâmetros consentâneos com a realidade, é imprescindível que a sociedade, especialmente as elites, coloque-os como partícipe da angustiante situação e não como mera espectadora ou vítima.

Na verdade, a sociedade, de um modo geral, preocupa-se com os menores porque eles estão assaltando. Estivessem quietos, amargando calados e inertes suas carências e misérias, continuariam esquecidos e excluídos.

Nossas crianças estão crescendo abandonadas, desnutridas, sem afeto, sem teto, sem saúde, sem educação, explorada e convivendo diuturnamente com a violência.
Embora tardia, chegou a hora de fazermos algo mais do que clamar por punição.
(autor desconhecido)

Exercícios

1) Qual o tema abordado no texto?

2) Observando os conceitos já trabalhados em aulas anteriores, este texto é um texto dissertativo ou argumentativo? Justifique:

3) Explique a expressão: “[...] merece uma acurada reflexão.”

4) Por que, segundo o texto, os jovens e crianças estão demonstrando um “desapego incompreensível pela vida alheia e até pela própria”?

5) O texto afirma que a criminalidade infanto-juvenil merece reflexões que ultrapassem os limites jurídicos e de natureza meramente repressiva. O que isso significa?

6) O texto traz uma crítica severa em relação à sociedade. Qual é essa crítica. Você concorda? Por quê?

7) Desenvolva uma pequena reflexão, posicionando-se acerca da diminuição da idade penal. Reflita sobre esse assunto e fundamente sua opinião por meio de fatos e argumentos. (mínimo 15 linhas)

TEXTO 2


Outra vez, o terror arranha nossos olhos. Como é de seu feitio, cai sobre inocentes, de surpresa e à toa, para que voltemos a nos lembrar dele. De fato, sinto-me provocada a dar atenção a ele e a tentar compreendê-lo – do ponto de vista não político, mas humano.

Na sua expressão política, o terror está sempre amparado por uma razão ideológica ou religiosa. Razões supremas e sobre-humanas, pensa-se (a lei da natureza, a lei da história, a lei de Deus), e que, por isso mesmo, justificariam todo o mal decorrente de sua efetivação.

Mas, na vida cotidiana, nada legitima o terror, além da vontade e do interesse dos seus agentes. Guardadas as devidas medidas e proporções, são também atos de terrorismo aqueles que invadem as cenas cotidianas: da violência doméstica à “guerra civil” que vem se instalando em algumas cidades brasileiras e cujas primeiras manifestações já eram os “arrastões” realizados nas praias cariocas, nos anos de 1980.

Seja na esfera da vida política, seja na vida privada, o ato de terror visa submeter os outros homens à vontade do agente. Sempre através de uma violência que não se anuncia, potencializada pelas armas e com o poder de exterminar sem dar direito à defesa.

Em nome de que um homem pratica o terror? O que o autoriza? Qual o seu propósito? Penso que o terror tenha sua origem na arrogância, nesse ato de tomar só para si o poder de julgar os outros, de dar aos outros o que se pensa que merecem, recompensa ou castigo, a vida ou a morte, de decidir por eles, especialmente sobre o seu destino.

A razão de ser do terror é a arrogância. Não importa o motivo – se por ódio, se por amor, se por justiça, se por verdade. O arrogante não faz acordos nem observa regras. A lei é a sua. A palavra é a sua. O momento é o seu. A arrogância condenou à morte Jesus, Sócrates, Gandhi. Deu suporte ao nazismo, ao stalinismo, à inquisição:
sustenta fundamentos políticos e religiosos.
CRITELLI, Dulce. In: Folha Equilíbrio, 1 abr. 2004.

Exercícios

1) Segundo a autora, ela busca compreender o terror, tema discutido no texto, do ponto de vista humano. No decorrer de sua exposição, ela aponta a razão de ser do terror, sob esse aspecto. Qual é, segundo ela, essa razão e como ela se manifesta?

2) Quais as razões que justificam os atos de terror, segundo o texto? Baseando-se nisso, cite um exemplo de alguma atrocidade cometida que possa ser justificada pelos fatores indicados no texto.

3) Qual é o objetivo do terror?

4) Explique a expressão: “[...]nada legitima o terror, além da vontade e do interesse dos seus agentes [...]”.

TEXTO 3

CRIMES E CASTIGO

[...] Eu poderia, é certo, contra-argumentar. O jovem de 16 pode votar se quiser, enquanto o de 18 ou mais está obrigado a fazê-lo. De todo modo, um garoto de 16 não pode dirigir veículos, abrir ou fechar negócios e nem candidatar-se à maioria dos cargos públicos eletivos. [...]

[...] Atendendo a provocações, volto a comentar o inominável assassinato do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, desta vez sob o aspecto da lei. A tarefa que me cabe não é das mais agradáveis, pois ao sustentar que não se reduza a maioridade penal para 16 anos, como muitos agora exigem, estarei de algum modo defendendo o menor Xampinha, cujos atos estão além de qualquer defesa. O que de certa forma me tranquiliza é a convicção de que princípios existem para ser preservados contra exceções. E os crimes de Embuguaçu [...] foram justamente uma trágica exceção.

[...] O ponto que eu quero defender, contudo, não é este. Se, ignorando todas as nossas tradições jurídicas e culturais, fôssemos criar um sistema penal inteiramente novo, eu não veria grandes problemas em fixar a maioridade aos 16 ou mesmo permitir que o tribunal determinasse a capacidade jurídica de cada acusado, independente de sua idade cronológica. [...]

[...] É claro que não sou um daqueles tarados que colocam a maioridade penal aos 18 anos como um fim em si mesmo. Não é desprovida de sentido a argumentação dos que defendem a redução afirmando que, nos dias de hoje, com a intensa circulação de informações, os jovens amadurecem mais cedo para algumas coisas. Se a lei já lhes faculta votar aos 16, por que não responder penalmente por seus atos?

Exercícios

1) Qual o assunto discutido no texto?

2) O autor se posiciona contra ou a favor da redução da maioridade penal?

3) De que argumentos o autor se vale para defender seu ponto de vista? No texto, é apresentado um argumento que “defende” a redução da maioridade penal para os 16 anos. Que argumento é esse? 

Referências:

_______________________________

Atenção alunos do 3º ano B!

Se vocês tiverem alguma dúvida, deixem um comentário!

Nenhum comentário:

Postar um comentário