segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Espaço reservado ao 1º ano do E. M. - Aula 01 - Crônica


Olá Alunos do 1º ano E. M. da E. E. Eduardo Soares e E .E. Péricles Galvão, aproveitem esse espaço para tirar dúvidas das aulas dadas durante a semana.

A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens.

Você já deve ter lido algumas crônicas, pois estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.

Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:

Narração curta;
• Descreve fatos da vida cotidiana;
• Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;
• Possui personagens comuns;
• Segue um tempo cronológico determinado;
• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;
• Linguagem simples.

Portanto, se você não gosta ou sente dificuldades de ler, a crônica é uma dica interessante, pois possui todos os requisitos necessários para tornar a leitura um hábito agradável!

Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.

Fonte: http://www.brasilescola.com

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
Exercícios:

Crônica: Ora, bolas!

Fim de tarde, o sol ainda batia forte, e só se ouvia um grito na praça: gooooooolllllllllllll! No campo improvisado, onde as traves eram um punhado de pedras amontoadas, dois times de garotos suavam as camisas. A praça, um grande círculo de grama cercado por um caminho de paralelepípedo, formava o último pedaço verde no bairro, todo asfaltado. Alguns bancos de cimento ladeados por canteiros de pequenas flores coloridas enfeitavam o lugar e serviam de arquibancada. Ali, sentados uns sobre os outros, os moleques da rua de cima torciam contra o time da rua de baixo. E vice-versa, é claro!

A bola corria solta, leve, e, apesar dos cinco a dois, estava difícil decidir que ataque era o mais perigoso quando um chute rasteiro passou por debaixo das pernas do goleiro. Goooooooollllllllllllllllll! Seis a dois, e, enquanto uma torcida comemorava, a outra calava.

Bola no centro. Nem bem recomeçou a peleja e num chute despretensioso, alto, um chutão pra cima meio sem direção, o beque adversário encobriu o goleiro. O mesmo goleiro, que ainda nem havia se recuperado do gol anterior. O barulho de repente ficou ensurdecedor e misturava o grito de gol com o frangueeeeeeeeeeeeeeeeiirooooo.

O menino não teve dúvida. Para ele era demais. Escondeu a lágrima que escorria no rosto, botou a bola embaixo do braço e, sem olhar pra trás, foi numa corrida só para casa. Minutos depois, enquanto a praça toda agitada ora xingava, ora chamava pelo dono da bola, na pequenez de um quarto um jogador solitário manipulava homenzinhos num vídeo game. Ali, além de ser o dono da bola, dava pra desligar a torcida. E a realidade também.
Marco Antonio Hailer

1-     O espaço é outro elemento da crônica, que dá a ideia do cenário onde os fatos acontecem. Às vezes, ele parece descrito com detalhes que determinam o desenrolar da ação. Muitas vezes, aparece só uma citação e às vezes nem citado é. Qual é o espaço dessa crônica? Cite um trecho do texto que apresenta uma descrição dele.

2-     Qual é o fato do dia-a-dia que originou a crônica?

3-     Por que as palavras “gol” e “frangueiro” foram escritas de forma diferente?

4-     O que significam no texto as expressões “vice-versa” e “bola no centro”?

5-     Cite palavras e expressões que dão a ideia de tempo nessa crônica?

6- Na sua   opinião, qual é a importância de o autor ter terminado o texto com a frase “e a realidade também”?

7-     O narrador é personagem do texto (foco narrativo em 1ª pessoa) ou ele está fora e conta a história de outras pessoas (foco narrativo em 3ª pessoa)? Como você chegou a essa conclusão?

8-     Que tipos de pessoas do cotidiano são representadas pelas personagens da crônica?

Leia o texto a seguir e responda as questões de 01 a 05.

O HOMEM TROCADO
(Luís Fernando Veríssimo)
O homem acordada anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação…
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos… E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e…
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem…
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? – perguntou hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?

1) Qual a relação do título com as desventuras sofridas pelo protagonista do texto?

2) Esse texto pertence ao gênero narrativo crônica. Cite algumas características desse gênero que estão presentes no texto.

3) O que gera o efeito humorístico nesse texto?

4) Na crônica, o narrador pode ser observador ou personagem. Nessa crônica, qual é o tipo de narrador?

5) Marque os tipos de crônica nos quais se encaixa “O homem trocado” de Luís Fernando Veríssimo.

(   ) Crônica de humor (   ) Crônica-ensaio (   ) Crônica descritiva (   ) Crônica narrativa

Produção de texto

OPÇÃO 1 - Leia a seguinte notícia de jornal e desenvolva, baseado no que foi lido, uma crônica de humor. (Entre 15 e 25 linhas)

HOMEM NU FICA PRESO DO LADO DE FORA DE QUARTO DE HOTEL

O rapaz até que tomou cuidado, mas a sorte não ajudou. Acabou trancado do lado de fora de seu quarto de hotel – inteiramente pelado. Publicada há pouco mais de uma semana, o vídeo com imagens de circuito interno de TV já é um viral. Ao se ver trancado como veio ao mundo, o homem não-identificado e desesperado tenta inicialmente parecer casual; em seguida toma o elevador e aterroriza mãe e filho; no lobby, passa pelo constrangimento de ter que comunicar seu drama ao rapaz da recepção. O diálogo que eles travam é digno de uma crônica de Fernando Sabino:

Homem (peladão) _ "Eu me tranquei do lado de fora do quarto".
Recepcionista _ Hmmm… Você tem alguma identificação? Posso ver sua carteira de motorista?"
Homem (peladão e exasperado) _ "Mas como eu posso estar com a carteira de motorista se eu estou nu???"
Se a história é real ou encenação, ninguém comprovou ainda, mas quase um milhão de pessoas já viram as cenas de humor involuntário.                                
OPÇÃO 2 - Um homem está sozinho em casa, são três horas da manhã e ele ainda não conseguiu dormir. De repente toca o telefone. (Entre 15 e 25 linhas)


Abraços! Aproveitem o blog para rever os conteúdos.

Prof. Claudinei Camolesi

Um comentário:

  1. muito bom,....,ajuda muito! mesmo nao tendo faltado ,da para da uma revisada aqui.

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