domingo, 23 de dezembro de 2012

Redação - Como conquistar o interesse no leitor


O que você quer de seu leitor? 


Nenhuma das possíveis estruturas de texto é melhor ou mais adequada do que a outra. O interesse do leitor, no entanto, pode ser determinado pela estrutura que escolhemos para nosso ensaio. Esse interesse vai variar conforme a posição da conclusão – que deve ser sempre a parte mais interessante do texto. Assim, conhecer as partes de sua estrutura é uma estratégia para melhorar a eficiência do texto e valorizar ainda mais as ideias desenvolvidas. Não basta escrever de forma eficaz. É preciso que o autor saiba exatamente para que tipo de leitor está escrevendo. Só assim ele terá um retorno satisfatório de seu trabalho.




O que desperta interesse?



O conteúdo do texto é o que primeiro desperta o interesse do leitor. Mas não é só isso. A linguagem e a estrutura organizada das ideias em períodos e parágrafos também têm peso definitivo. Somente se esses aspectos forem bem-estruturados é que se pode discutir ou avaliar o grau de interesse do leitor.

A variação do interesse


Os gráficos que vêm a seguir mostram como varia o interesse do leitor, no caso de um texto redigido de acordo com as estruturas básicas. Ou seja, um texto bem-escrito e adequado à estrutura escolhida.

Na estrutura linear
Gráfico do interesse do leitor na estrutura linear.


O interesse do leitor, nessa estrutura, é crescente: na horizontal, temos a progressão de ideias no texto. A linha vertical registra a variação de interesse do leitor. Vamos supor que cada ponto assinalado na horizontal seja uma ideia ou um dado essencial ao desenvolvimento da argumentação. As ideias desenvolvem-se de 1 (que é a primeira ideia da introdução) até n (que é a última ideia da conclusão). Vamos, também, supor que cada ponto assinalado na vertical seja uma marca de uma hipotética escala crescente de medição do interesse do leitor. Observe que a linha de variação não começa no zero. Isso porque, se o interesse fosse zero, o leitor nem sequer começaria a ler o texto. 


Para lembrar

Na estrutura linear, o interesse do leitor vai crescendo conforme sua leitura se aproxima da conclusão. Nessa estrutura, que é indutiva, as ideias principais estão, de fato, no final do texto. O autor deve evitar que o interesse do leitor se torne decrescente.

Na estrutura cíclica

Gráfico do interesse do leitor na estrutura cíclica.

Essa estrutura desperta um alto interesse: as funções das linhas horizontal e vertical continuam as mesmas – a horizontal registra a progressão de ideias no ensaio; a vertical mostra a variação de interesse do leitor. Na estrutura cíclica, esse interesse se mantém alto desde o início. O motivo é que o texto começa pela conclusão, que é, em tese, a parte mais interessante do ensaio. Por essa razão, o leitor deverá manter-se interessado até o final. A linha reta, paralela à horizontal, expressa a expectativa do leitor para que o autor comprove as afirmações iniciais. A dificuldade, nesse caso, também é manter essa linha sem queda.

Gráfico do interesse do leitor na estrutura cíclico-linear.

Na estrutura cíclico-linear


Aqui, o refrão renova e aumenta o interesse do leitor. Na estrutura cíclico-linear, podemos ver o mesmo crescimento de interesse do leitor que percebemos na estrutura linear. Os pontos mais altos das ondulações da linha representam a frase repetida. Nesse caso, é o refrão que volta a aparecer em intervalos regulares. 



No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra.
 

(Carlos Drummond de Andrade, "No Meio do Caminho", in Antologia Poética) 


O refrão conotativo marca o ritmo na poesia de Carlos Drummond de Andrade

A estrutura ideal


Esses gráficos são representações ideais. Na realidade, nem sempre essas reações acontecem como as indicadas, por melhor que o texto tenha sido escrito. Afinal, o interesse é um aspecto subjetivo do leitor. Por isso, corremos o risco de não acertar sempre. Mas toda pessoa que escreve tem como meta principal fazer-se entender por seu leitor. Assim, precisamos estar sempre atentos às possibilidades estruturais e às características de nosso leitor, que é a razão de ser de nosso trabalho.

Fonte: http://www.klickeducacao.com.br

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